“A Igreja Católica não rejeita nada de verdadeiro e santo que existe nas outras religiões, pois nelas reflete-se um raio da verdade que ilumina todos os homens”.
Com essas palavras, o Papa Leão XIV recordou os sessenta anos da declaração Nostra Aetate, dedicada às relações da Igreja com as religiões não cristãs. O evento, com o tema “Caminhar juntos na Esperança”, reuniu cerca de duas mil pessoas e oitenta representantes das principais tradições religiosas do mundo, nesta terça, dia 28, no Vaticano.
O Papa, em seu discurso, afirmou que o “diálogo autêntico não começa no meio-termo, mas na convicção profunda da própria fé, que nos move a aproximar-nos dos outros com amor”.
O Papa advertiu que a mensagem da Nostra Aetate é “mais urgente que nunca”, diante de um mundo marcado por guerras, pobreza e divisões:
“Como líderes religiosos, guiados pela sabedoria de nossas respectivas tradições, compartilhamos uma responsabilidade sagrada: ajudar nosso povo a libertar-se das correntes do preconceito, da ira e do ódio; ajudá-lo a elevar-se acima do egoísmo e da autorreferencialidade; ajudá-lo a vencer a ganância que destrói tanto a alma humana quanto a terra.”
Em referência ao Jubileu da Esperança, convidou todos a “caminhar juntos”:
“Quando o fazemos, os corações se abrem, pontes são construídas e novos caminhos surgem onde parecia impossível. É uma tarefa sagrada de toda a humanidade — manter viva a esperança, o diálogo e o amor no coração do mundo.”
O encontro terminou com um momento de oração silenciosa. “A oração tem o poder de transformar nossos corações e o mundo”, concluiu o Papa Leão XIV, recordando uma célebre citação de São João Paulo II: “Se o mundo deve continuar, não pode prescindir da oração.”
OUSAR A PAZ
Sob o lema “Ousar a Paz”, a Comunidade Sant’Egídio promoveu, no Coliseu romano, um encontro de oração que reuniu representantes de diversas confissões religiosas. O momento mais aguardado foi o discurso do Papa Leão:
“Conflitos existem onde quer que haja vida, mas a guerra não ajuda a enfrentá-los nem a resolvê-los. A paz é um caminho permanente de reconciliação”, disse o Pontífice, que fez uma forte exortação:
“O mundo tem sede de paz: precisa de uma verdadeira e sólida era de reconciliação, que ponha fim à opressão, às demonstrações de força e à indiferença à justiça. Chega de guerras, com seu doloroso tributo de morte, destruição e exílio!”

Hoje, juntos, disse ainda o Santo Padre, demonstramos não apenas nosso firme desejo pela paz, mas também a consciência de que a oração é uma grande força de reconciliação. Quem não reza, afirmou, abusa da religião, até mesmo para matar.
Leão XIV citou o histórico encontro de Assis promovido por São João Paulo II em 1986, cujas raízes se encontram no documento conciliar “Nostra aetate”, do qual se celebram os 60 anos de promulgação justamente hoje, 28 de outubro. O Pontífice mencionou ainda seu predecessor, Francisco, que exatamente um ano atrás, para o mesmo evento, advertiu para a instrumentalização das guerras por parte das religiões. Leão XIV afirmou com voz firme: “A guerra nunca é santa, somente a paz é santa, porque é desejada por Deus!”.
“Chega! É o clamor dos pobres e o clamor da terra. Chega! Senhor, ouve o nosso clamor!”
Para o Santo Padre, a cultura da reconciliação poderá superar a atual globalização da impotência, através do diálogo, da negociação e da cooperação.
“Este é o apelo que nós, líderes religiosos, dirigimos de todo o coração aos governos. Fazemos eco do desejo de paz dos povos. (…) Devemos ousar buscar a paz! E se o mundo estiver surdo a este apelo, temos a certeza de que Deus ouvirá as nossas preces e os lamentos de tantos que sofrem. Porque Deus deseja um mundo sem guerra. Ele nos libertará deste mal!”
Fonte e Imagens: Vatican News.
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